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terça-feira, 28 de outubro de 2008

2º Fase - Classificação Final

GRUPO E
1-Vasco da Gama       6  4  2  0  13- 5  10  Qualified
2-CSA                 6  3  2  1  13- 5   8  Qualified
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3-Nacional            6  2  0  4   7-11   4
4-Galícia             6  1  0  5   5-17   2
GRUPO F
1-Ponte Preta         6  3  3  0  10- 6   9  Qualified
2-Bahia               6  3  1  2  10- 6   7  [2  1  0  1   5- 4   2] Qualified
--------------------------------------------
3-Santa Cruz          6  3  1  2  12-10   7  [2  1  0  1   4- 5   2]
4-Corinthians         6  0  1  5   4-14   1

GRUPO G
1-Vitória             6  3  2  1   6- 4   8  Qualified
2-Fluminense          6  2  3  1  12- 6   7  Qualified
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3-Portuguesa          6  1  4  1   6- 6   6
4-Paysandu            6  0  3  3   3-11   3 
GRUPO H
1-Operário-MS         6  5  0  1  16- 5  10  Qualified
2-Náutico             6  4  0  2  11- 5   8  Qualified
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3-Cruzeiro            6  3  0  3   9-13   6
4-Ferroviário         6  0  0  6   3-16   0 
GRUPO I
1-São Paulo           6  4  1  1   8- 3   9  Qualified
2-Grêmio              6  4  0  2   9- 6   8  Qualified
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3-Internacional-SP    6  2  2  2  12- 7   6
4-Fortaleza           6  0  1  5   2-15   1
GRUPO J
1-Internacional-RS    6  3  3  0  10- 2   9  Qualified
2-Sport               6  2  3  1   9- 4   7  Qualified
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3-Palmeiras           6  3  0  3   7-11   6
4-Goiás               6  0  2  4   1-10   2
Inter 1x0 Goiás (Foto: Zero Hora)

Inter 2x2 Sport  (Foto: Telmo Cúrcio da Silva/Zero Hora)



GRUPO K
1-Botafogo            6  3  3  0  10- 4   9  Qualified
2-Santos              6  2  3  1   7- 4   7  Qualified
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3-Bangu               6  2  1  3   6-10   5
4-Mixto               6  0  3  3   4- 9   3
GRUPO L
1-Flamengo            6  3  2  1   9- 9   8  Qualified
2-Atlético-MG         6  2  3  1   8- 5   7  Qualified
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3-Colorado            6  1  3  2   8- 7   5
4-Uberaba             6  0  4  2   5- 9   4
Fonte: RSSSF

2ª Fase - 6ª Rodada - Grêmio 1x0 Internacional-SP

Foto: Correio do Povo




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GRÊMIO CLASSIFICADO. AGORA É O VITÓRIA

1 a 0 foi bom, pois agora com dois empates o time segue no campeonato

 

Um empate era suficiente para o Grêmio, mas como a vitória favorecia aos interesses imediatos do Grêmio, o time lutou por ela e chegou lá com 1 a 0 gol de Newmar – logo aos nove minutos do primeiro tempo e vingou-se da derrota que sofreu a Inter em Limeira no turno anterior.

 

Com este resultado combinado com o  1 a 0 do São Paulo em Fortaleza, o Grêmio ficou em segundo lugar no seu grupo e agora disputará a próxima fase do Campeonato Brasileiro com o Vitória, numa melhor de quatro pontos. O primeiro jogo será quarta-feira, em Salvador, e a decisão neste fim de semana aqui no Olímpico.

 

O jogo de ontem foi engraçado. No seu início, o Grêmio precisando apenas empatar para se classificar tratava de vencer, enquanto a Inter, precisando da vitória, comportava-se em campo como se desejasse empatar. Razão: precisando de um ponto para se classificar, o Grêmio tratava de obter dois, com medo de ser surpreendido. Já a Inter, necessitando dos dois pontos, tentava chegar a ele com calma, procurando primeiro garantir um...

 

Mas a Inter, ao menos desta vez, esteve sem sorte nem teve força para resistir à pressão gremista do início do jogo. Não teve sorte porque sofreu um gol “chorado” de Newmar, ainda no começo de jogo, e não teve força porque o gol, mesmo inesperado, fazia justiça ao melhor time em campo, ao time que lutava pela vitória e que já havia criado ao menos duas boas oportunidades para consegui-la, até aquele momento: uma cabeçada de Heber, que o goleiro defendeu com dificuldade e um lançamento perfeito de Tadei, que Tarciso por muito pouco não alcançou em excelentes condições de concluir.

 

QUEDA E REAÇÃO

Depois do gol a partida não teve o mesmo desenvolvimento. Aos poucos o time paulista foi se arrumando, equilibrando o volume de jogo com seu adversário e até teve chance de chegar ao empate: aos 18 minutos, numa cobrança de falta de Marcão, o goleiro Leão teve de se esforçar muito para tocar a bola para escanteio e evitar a igualdade.

 

O Grêmio ainda no segundo tempo só teve de destacável uma conclusão de Casemiro, numa de suas rara subidas após tabelar com Heber.

 

No segundo tempo o andamento da partida não foi muito diferente da do primeiro tempo. O jogo prosseguiu monótono, desinteressante e com raros lances de área: um chute de Tadei por cima, uma jogada de Odair na área que a torcida reclamou pênalti e um lançamento perfeito de Heber a Tarciso, que o ponteiro não soube aproveitar.

 

Mas a culpa pela queda de nível do jogo não era apenas do Grêmio que estava garantido a classificação e que não desejava ser o primeiro colocado do seu grupo, para pegar um adversário mais frágil na fase seguinte da Taça de Ouro. A culpa era também da Inter, que em campo não correspondia ao cartaz que o antecedeu: precisando vencer, não conseguiu criar nenhuma oportunidade de gol.

 

Na parte final do segundo tempo o Grêmio, porém, pode dar um pouco mais de alegria à numerosa torcida que compareceu ao Olímpico. Isto porque sabendo que o São Paulo estava vencendo em Fortaleza, pode voltar a jogar para valer, com um show particular de Paulo Isidoro, e criar várias oportunidade de gols, numa demonstração de que tem mais futebol para apresentar nesta Taça de Ouro.

 

O PLACAR


NEWMAR para o Grêmio 1 a 0, aos nove minutos do primeiro tempo. A jogada iniciou com uma cobrança de escanteio pelo lado direito. A bola foi jogada para a área, o zagueiro Beto Lima teve pouco impulso para cabeceá-la e com isso permitiu que o zagueiro do Grêmio mesmo meio desequilibrado tocasse de cabeça para dentro do gol.” (Zero Hora,  segunda-feira, 6 de abril de 1981)







Foto: Correio do Povo




6ª Rodada
04/04/1981 - Sábado
Fortaleza 0x1 São Paulo
Grêmio 1x0 Internacional-SP


Placar: Vitória justa do Grêmio, que marcou na pressão inicial e depois soube segurar o resultado graças ao bloqueio perfeito na meia-cancha onde Tóinzinho e Elói nunca tiveram espaço para jogar.



Grêmio 1 x 0 Inter-SP

GRÊMIO: Leão; Paulo Roberto (Dirceu 17 do 2ºT), Newmar, De Léon e Casemiro, China, Paulo Isidoro e Vilson Tadei; Tarciso, Éber e Odair
Técnico: Ênio Andrade

Inter-SP: Serginho, Suemar, Beto Lima, Bolívar e Donizetti; Celso (Tornado 14 do 2ºt), Toinzinho e Elói; Camargo, Marcão e Simões (Almir, 29 do 2ºt)
Técnico: João Francisco

2 ªFase – 6ª Rodada - Campeonato Brasileiro 1981
Data: 05 de abril de 1981
Local: Olímpico, Porto Alegre, RS
Público: 54.120
Renda: Cr$ 6.315.160,00
Árbitro: Luís Carlos Felix – RJ
Auxiliares: Carlson Gracie e Cid Marival da Fonseca
Cartões Amarelos: Donizetti e China
Gol: Newmar 9 do 1º

2ª Fase - 5ª Rodada - Fortaleza 0x4 Grêmio

Foto: Edson Pio (O Povo)






“GRÊMIO GOLEOU NOS ÚLTIMOS 26 MINUTOS
No primeiro tempo, o time errou nas conclusões 
Depois da entrada de Héber, a vitória surgiu 

O Grêmio aumentou ainda mais as suas chances de classificação à próxima fase da Taça de Ouro depois de vencer ao Fortaleza por 4 a O sábado à noite, na capital cearense. Mas o resultado pode até ser considerado exagerado pelo que foi a partida em seus 90 minutos. Somente nos últimos 15 minutos de jogo — depois que Héber, o melhor, estava em campo — o time de Ênio Andrade mostrou um futebol de acordo com a goleada. Agora o clube fica à espera do resultado entre São Paulo e Inter de Limeira quarta-feira à noite no Morumbi, para definir suas possibilidades para o último jogo, contra a Inter, no próximo domingo, no Olimpico. 

A exemplo do que havia acontecido contra o São Paulo, a partida contra o Fortaleza serviu para mudar a formação do time titular do Grêmio. Ênio Andrade depois do jogo já confirmava Héber como o novo centroavante, merecidamente, pois foi ele na verdade o principal responsável pela goleada da equipe [...], criou suas próprias dificuldades e teve sorte de também resolvê-las. 

Animados pelo "bicho extra'' da Inter de Limeira, os jogadores do Fortaleza mostraram muita movimentação enquanto tiveram condição física para tanto e boas jogadas na meia-cancha e no ataque. Mas o Grêmio já poderia ter definido o jogo logo nos primeiros minutos aproveitando-se das deficiências do setor defensivo da equipe cearense. A oito minutos, por exemplo, Baltazar entrou livre pela esquerda mas não chutou, nem passou, só cruzou para ninguém. Logo em seguida o Fortaleza teve urna de suas grandes oportunidades. Numa jogada de Odilon pela esquerda Tiquinho chutou mal, por cima, sozinho dentro da área. 

O primeiro tempo foi assim: o Grêmio perdia gols Incríveis e permitia a reação do Fortaleza, que chegou a dominar em muitos momentos. Aos 11 minutos Baltazar, depois de receber passe de China,   [...]  de todos os atacantes gremistas errarem em diversas conclusões. Mazolinha obrigou Leão a fazer uma difícil   Aos 35 Odair, sozinho pela esquerda, chutou para fora. Um minuto depois Sérgio defendeu uma cabeçada de Baltazar que em seguida perdeu o gol mais incrível: depois de tirar a bola do último zagueiro ele avançou livre para o gol, tentou driblar e perdeu a bola para Sérgio. 

Outro gol perdido por Baltazar, logo primeiros minutos do segundo tempo, definiu sua substituição por Héber, que no primeiro chute a gol conseguiu marcar- O Fortaleza tentou reagir mas o Grêmio estava melhor posicionado e mais confiante. E nos últimos 26 minutos surgiu a goleada. Os três gols de Isidoro saíram ao natural diante do limitado preparo físico do adversário e das excelente jogadas criadas por Héber: a solução de Ênio para uma equipe que estranhamente tinha sido mais cautelosa e mais nervosa do que o [...]

 

Placar

HEBER aos 16 minutos do segundo tempo: 1 a 0 para o Grêmio — De Léon avançou pela esquerda e deu para Héber na entrada da área. Ele devolveu para o zagueiro, correu para a direita, recebeu e chutou de pé direito bem no canto direito do gol de Sérgio.
 
PAULO ISIDORO aos 88 minutos do segundo tempo: 2 a 0 para o Grêmio — Tarciso foi até a linha de fundo e cruzou na medida para Héber que tentou deslocar de cabeça ao goleiro. Sérgio defendeu parcialmente, e Isidoro, sozinho, de cima, apenas concluiu para dentro.

PAULO ISIDORO aos 40 minutos do segundo tempo: 3 a 0 para o Grêmio — Héber dominou a bola na esquerda, carregou pelo meio em direção à direita. Deu para Tarciso, recebeu, entrou na área sem ângulo e tocou de calcanhar direito exatamente onde estava Isidoro que chutou para cima, com força

PAULO ISIDORO aos 45 minutos do segundo tempo: 4 a 0 para o Grêmio — Héber deu para Casemiro, que entrava livre pelo lado esquerdo. O lateral tocou para Isidoro que depois de dominar de costas para o gol tentou encobrir o goleiro. Sérgio defendeu parcialmente e próprio, Isidoro foi concluir junto com Tarciso.” (Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)




“ÊNIO COM ESPERANÇA: - PRECISAMOS GARANTIR A CLASSIFICAÇÃO
No intervalo em Fortaleza ele chamou a atenção dos jogadores que não cumpriam com suas orientações 

No intervalo do jogo contra o Fortaleza, depois de um primeiro tempo de muitos erros e até certo nervosismo por parte da maioria dos jogadores do Grêmio, o técnico Ênio Andrade teve que repreender o time todo pelas falhas apresentadas em 45 minutos. Depois, a equipe voltou ao campo, goleou o adversário e todos os jogadores admitiram que a conversa cio vestiário teve grande influência no comportamento do time: 

— Eu não sei o que estava acontecendo — revelou Ênio Andrade. Porque se nós treinamos uma semana inteira um determinado tipo de marcação, era surpreendente que o Grêmio deixasse o adversário jogar livre, e que marcassem linha. E foi sobre isso que conversamos no vestiário, acertando detalhes e relembrando ó que ensaiamos tantas vezes no Estádio Olímpico. 

No segundo tempo, já com os principais defeitos corrigidos, "o Grêmio chegou à vitória com toda a naturalidade porque marcou corretamente". Para isso, no entanto, foi preciso ainda outra modificação — a substituição de Baltazar por Heber que, segundo Ênio Andrade, "deu ao time mais condição para, a tabela com os meias. Ele mereceu agora ficar com a posição de titular e inicia o jogo contra o Inter de Limeira". 

— O problema é que o Grêmio possui o goleador do Brasil em 1980, o Baltazar, e tinha que lhe dar uma oportunidade de se recuperar em campo. Mas o Heber entrou bem, deu condição para que o meio-campo jogasse mais e provou também no campo que pode ser titular". 

Para vencer o Fortaleza, Ênio Andrade teve que corrigir não apenas a disposição tática da equipe mas ainda orientar alguns jogadores para erros Importantes que estavam cometendo. Por exemplo: Ênio disse que Tarciso estava entrando em diagonal, o que diminuía o espaço de Paulo Isidoro; que Odair é orientado para receber lançamentos e estava voltando para buscar o jogo; e que De León estava jogando em linha com o Newmar, criando sérias dificuldades defensivas: 

— O importante — disse Ênio — é que conseguimos superar tudo no segundo tempo, chegando a uma goleada com naturalidade, sem exageros. Agora, precisamos garantir a classificação." (Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)





ELOGIOS

O melhor na situação de Héber é que não foi apenas o técnico Ênio Andrade que admitiu sua superioridade em relação a Baltazar no momento — ou, pelo menos, o fato de que ele é mais útil à equipe do que o ex-titular. 

No intervalo do jogo, o ponteiro direito Tarciso dizia que "no momento em que todos os jogadores soltarem a bola, o time marca os gols", referindo-se evidentemente a Baltazar, que raramente procura a tabela ou o passe com um companheiro. 

A opinião de Tarciso acabou confirmada no segundo tempo porque Héber é realmente mais habilidoso e solidário do que Baltazar, faz bons passes e prepara muito bem as jogadas para os jogadores que estão chegando na área. Tanto que os dois meias da equipe. Paulo Isidoro e Wilson Tadei fizeram muitos elogios ao novo centroavante, sempre ressaltando sua capacidade de colocar outros jogadores em boa situação para a conclusão. 

— Quando entrou o Héber — disse Tadei — houve maior variedade de jogadas porque ele sabe segurar jogo, mesmo de costas para o adversário, até que alguém se aproxime para o passe. Isso não quer dizer que o Baltazar não mereça também elogios. É apenas uma questão de estilo: enquanto o Baltazar prefere jogar mais fixo na área, o Héber se movimenta mais para os lados, recebe e devolve em boas condições. 

Paulo Isidoro também concordou que a diferença básica entre Baltazar e Heber, é a característica de cada um. "O Baltazar já garantiu muitas vitórias difíceis e isso ninguém pode negar. Mas o Héber sabe preparar a jogada, ele joga com a mente e a prova disso foi aquele passe para o nosso segundo gol, em que ele deixou a bola parada para que eu chutasse sem marcação de ninguém. Agora problema é do treinador e ele vai saber escolher o melhor para o Grêmio." (Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)





“OPINIÃO: O gás do Fortaleza só deu para um tempo, no segundo, o Grêmio deslanchou” (Luciano, Luque, Revista Placar, Edição n.º 568 – 3 de abril de 1981)













Antônio Goulart  -   “O PODER DAS GOLEADAS

Sem dúvida, a grande revelação do Grêmio em Fortaleza foi Héber, tanto que garantiu sua escalação para o próximo jogo, no lugar de um goleador titular que vinha perdendo muitos gols. A substituição não significa, porém, que todos os problemas do time de Ênio Andrade estejam resolvidos. Aquela vitória não pode ser tornada como reflexo de uma plena recuperação. Um jogador sozinho não salva uma equipe. Bem marcado, pode frustrar muita gente. E o técnico da Inter de Limeira, a esta altura, já deve estar sabendo de quase tudo e virá ao Olímpico, no final da semana, preparado para tentai anular a nova arma do ataque tricolor.

O banco de reserva deverá, de Início, ser um pouco constrangedor para Baltazar. Mas, com certeza, irá lhe fazer bem. No meu modo de ver, dois fatores contribuíram para que o centroavante do Grêmio diminuísse o seu rendimento em campo. Em primeiro lugar, o casamento que, como é natural, alterou sensivelmente sistema de vida do jogador, sua rotina do dia-a-dia, antes dedicada quase que integralmente ao clube. Em segundo lugar, talvez com maior influência, foi o fato de Baltazar não ter, até há pouco, um reserva especialista da posição. A quase certeza de que a camisa 9 não poderia ser dada a outro, nem em treinos e muito menos nos jogos, é provável que o tenha levado a abandonar a preocupação permanente de brigar por ela.

Agora, com Héber na sombra, Baltazar deverá se empenhar com muito mais vontade. E poderá recuperar a posição, não por forca apenas do seu prestígio ou de suas estatísticas de goleador, mas jogando futebol.” (Antônio Goulart, Correio do Povo, 31 de março de 1981)




Paulo Santana – “HÉBER, O FEÉRICO 

Se Baltazar era o iluminado, Héber pode vir a ser o Feérico. Iluminado é o que tem luz. Feérico é o que tem e dá luz. Vou explicar, sem querer bancar o sábio, o que as pessoas que entendem de futebol não precisavam ver assim repetido: o melhor centroavante não é o que faz mais gols; o melhor centroavante é aquele que permite que seu time faça mais gols; ou ainda, o melhor centroavante é aquele que erra menos gols. Todo mundo que é inteligente e entende de futebol não duvida dessas verdades. O diabo é que existem pessoas inteligentes que não entendem de futebol, que exercitam suas funções em torno do futebol porque à época havia vagas, elas se meteram no negócio e vão levando, às vezes até com êxito. Só que chega na hora de opinar sobre o básico, erram feio e nunca vão deixar de errar. Mas aprendam por favor enquanto aqueles que entendem de futebol estão vivos: o melhor, centroavante é o que colabora para que seus companheiros, lógico que também ele próprio, façam mais gols. Foi por isso que o Héber se consagrou em Fortaleza: teve 20 minutos de atuação que o Baltazar jamais alcançou em seus dois anos de Grêmio. Ou seja, participou de todos os quatros gols do Grêmio. Enquanto que o Baltazar, grande goleador do ano passado, só participa dos gols dele. Se vocês acham que estou sendo severo nesta análise, pois vou dar a palavra a um jogador do Grêmio que estava em campo, sábado em Fortaleza. Vejamos o que Tarciso disse no intervalo, depois que Baltazar aterrorizou todo mundo ao errar quatro gols feitos. Fala, Tarciso: "Não tem explicação os gols que erramos. Se nós nos conscientizássemos, na hora da conclusão, de que existe um companheiro melhor colocado para fazer o gol, se nós passássemos a bola para esse companheiro, nós não perderíamos tantos gols". Isso foi o que Tarciso disse na Rádio Gaúcha. Não sou eu que estou inventando. Só quero, embora o Tarciso não pudesse ser mais claro, lembrar o que sempre escrevi e falei sobre Baltazar, desde que o vi jogar pela primeira vez, unindo ao que disse Tarciso: "Baltazar é cristão fora do campo. No campo ele não é cristão. Se fosse, passaria a bola para seus companheiros". Não se trata de criticar Baltazar, até mesmo porque ele só tem 21 anos e um dia pode possuir a felicidade de topar com um treinador que pense como este comentarista, que o corrigirá. Mas se trata, isso sim, de deixar bem claro agora, para que os preenchedores de vagas não mais incomodem, é que Héber oxigenou o time do Grêmio, Héber não só fez o gol, não só participou dos outros três, como também solta a bola para os colegas, solta e vai colocar-se, tem sentido de coletivismo. E Héber tem uma vantagem sobre Baltazar que André também tinha: Héber tem quatro ferramentas, enquanto Baltazar tem só uma. Vejam as quatro de Héber, pelo que se viu sábado: pé direito, pé esquerdo, cabeça e calcanhar. Baltazar só tem o pé direito. Então o Ênio Andrade está com a razão: Héber é o novo centroavante titular do Grêmio. Héber, o Feérico. 

 • • •

 Com Vitor Hugo de libero, de grande líder, no dizer dos que gostam dele como libero e líder, o Grêmio perdeu de 3 a 0 para o 15 de Novembro em 79 e foi desclassificado do campeonato nacional; em 80, com o Vitor Hugo, o Grêmio perdeu de 5 a 0 para o Corinthians, sendo desclassificado; em 81, com Vítor Hugo, o Palmeiras levou 6 a 0 Internacional e está quase desclassificado. Esta crônica não é contra Vitor Hugo. Ela apenas quer que as viúvas do Vítor Hugo, as que tentaram envenenar a torcida do Grêmio ao dizer que Vítor Hugo estava fazendo falta, nunca mais voltem a falar nesta barbaridade. Calem-se sempre. Vocês estão se queimando com o público. Que libero é este?"  (Paulo Santana, Zero Hora, segunda-feira, 30 de março de 1981)



 


Antônio Goulart  - “PONTARIA E MARCAÇÃO


Não sei se foi intuição retardada ou consequência de sobra de tempo para treinamentos. A verdade é que tolo Andrade começou ontem a tentativa de correção de dois pontos fracos de sua equipe: chutes a gol e marcação individual em todo o campo. O Grémio vem-se caracterizando, ultimamente, como um time perdedor de gols feitos; a exceção foram os 26 minutos finais contra o Fortaleza. Por isso, o técnico tratou de exercitar a pontaria de seus atacantes, com bolas cruzadas de todos os lados, a qualquer distância, para finalizações, tanto com o pé direito como com o esquerdo e de cabeça. E o tipo de treino que deveria ser feito todos os dias. Garanto que os resultados seriam bem diferentes.

 

O Grêmio de agora também vem mostrando que a marcação, fora do quinteto defensivo, não é o seu ponto forte. Pois ontem Ênio Andrade chamou a atenção de sua meia-cancha e deu uma nova tarefa aos jogadores do setor: marcar o adversário no campo todo. Sob este aspecto, houve um recado especial para Vilson Tadei. O próprio técnico reconhece que é preciso que todos os jogadores, os atacantes também, se acostumem com a tarefa de marcar.” (Antônio Goulart, Correio do Povo, 2 de abril de 1981)



Fortaleza 0x4 Grêmio


FORTALEZA: Sérgio; Totó, Marcão (Roberto, intervalo), Rôner e Dudé; Chinesinho (Beto, 20 do 2º), Odilon e Adriano; Mazolinha, Rogério e Tiquinho.
Técnico: Martins Monteiro (interino)

GRÊMIO: Leão; Paulo Roberto, Newmar, De León e Casemiro; China, Paulo Isidoro e Vílson Tadei; Tarciso, Baltazar (Heber 10 do 2ºT) e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

Brasileirão 1981 – 2ª Fase – 5ª Rodada
Data: 28/03/1981, Sábado, 21h00min
Local: Castelão, em Fortaleza – CE
Público: 1.628
Renda: Cr$ 165.250,00
Juiz: José Roberto Wright (RJ)
Auxiliares: Antonio Carminha e Artur Braz
Cartão Amarelo: Marcão
Gols: Éber aos 15, Paulo Isidoro aos 40, 42  44 minutos do 2ºtempo

 

2ª Fase - 4ª Rodada - Grêmio 1x0 São Paulo





Foto: Zero Hora

Foto: Zero Hora


Foto: Zero Hora


Foto: Zero Hora


Foto: Zero Hora

 

Placar: Com muita garra o Grêmio derrotou o último invicto e fez sua melhor partida neste nacional. O São Paulo usou toda a catimba possível mas não pôde evitar a derrota e a perda da invencibilidade.



VITÓRIA DIFÍCIL MANTÉM GRÊMIO NA LUTA PELA CLASSIFICAÇÃOA torcida gostou do gol de Baltazar e do ótimo futebol apresentado pelos novos jogadoresO gol de Baltazar que deu a vitória ao Grêmio, sábado à tarde no Olímpico, ficou como a imagem da própria partida: a bola nem chegou até o fundo da goleira —o goleiro Toinho agarrou-a logo que ultrapassou a risca — mas bastou para manter o clube com boas chances de classificação à próxima fase da Taça de Ouro. Difícil, dramático, tenso — assim foi o jogo contra o São Paulo que perdeu sua invencibilidade a muito custo, diante de mais de 30 mil torcedores que ficaram entusiasmados com a nova equipe do grêmio.Foi realmente um jogo decisivo para o clube em todos os sentidos. A equipe enfrentou todas as espécies de dificuldades. Desde a catimba e provocações dos jogadores adversários até as chances de gol não aproveitadas que serviram para aumentar o nervosismo nas arquibancadas e no gramado. Tudo foi superado. A partir da vitalidade, disposição e garra de garotos como Paulo Roberto e Casemiro — sem falar nas suas qualidades individuais — o time de Ênio Andrade dominou completamente o São Paulo e teve condições de vencer por uma diferença maior.O Grêmio mostrou que pode ter uma equipe com possibilidades de tentar resultados ainda melhores. Sua vitória convenceu e fez justiça na medida em que apenas uma equipe preocupou-se em construí-la.OS MENINOSSe nos primeiros 20 minutos o jogo se manteve equilibrado com o São Paulo adotando até mesmo uma posição ofensiva, De León tratou de usar sua experiência para impor seu futebol e empurrar o restante do time para frente. Se as faltas cometidas pelos paulistas única forma com que os jogadores do Grêmio tentarem o gol neste período não foram aproveitadas tanto por Paulo Isidoro como por Odair — Paulo Roberto provou depois que o time já dispõe de um cobrador: aos 36 minutos do primeiro tempo ele quase acertou, o que se repetiria em duas oportunidades no segundo tempo.Se o Grêmio não tinha jogadas inteligentes pelo meio da área, Vilson Tadei em tabela com Paulo Isidoro ficou sozinho à frente de Toinho obrigando o goleiro a fazer sua primeira grande defesa aos 25 minutos do primeiro tempo. Se o Grêmio antes não tinha chute de longa distância, Casemiro provou o contrário acertando o poste aos 34 minutos. “O time dos meninos" como diria Ênio Andrade depois do jogo, realmente surpreendeu pela consciência e espírito de luta.O São Paulo saiu de campo sem ter chutado nenhuma bola ao gol de Leão. E o time paulista acabou perdendo tranquilidade e a elegância. ÉIvio foi expulso por chutar Isidoro e Chiquito depois de uma discussão com o médico Alarico Endres na beira do gramado tentou acertar com urna bolada o reservado do Grêmio. Ás vezes violento, mas sempre disputando o jogo ao final deixava algumas comprovações: o Grêmio superara suas próprias dificuldades, Paulo Roberto tem um futebol de craque e Baltazar é mesmo um jogador com inspiração divina.Mas a classificação ainda não está garantida, pois o Inter de Limeira fez 5 a 1 no Fortaleza no sábado à noite e o Grêmio ainda continua precisando de grandes vitórias.O placarBALTAZAR, aos 26 minutos do segundo tempo : 1 a 0 para o Grêmio - Tarciso sofreu falta de Marinho na ponta direita. Ele mesmo bateu em cruzamento sobre a área. Baltazar cabeceou para baixo, o pique enganou Toinho que deixou a bola passar por cima do seu ombro e cair dentro da goleira no lado direito.” (Geanoni Peixoto e Pedro Macedo, Zero Hora, Segunda-feira, 23 de março de 1981)

Foto: Correio do Povo

GRÊMIO VENCE SÃO PAULO E PARTE PARA CLASSIFICAÇÃOFalta ao lado direito. Tarciso é rápido na cobrança, cruzando para a área. Zagueiros do São Paulo vacilam e Baltazar é preciso na cabeçada. Vinte e cinco minutos, segundo tempo, o Grêmio estava vencendo o São Paulo, por 1x0, no Olímpico, iniciando a arrancada rumo à classificação.Apesar de ser superior ao time paulista, o Grêmio teve um primeiro tempo de muitas ameaças, finalizações e. por azar, grandes defesas do goleiro Toinho. Plenamente ofensivo e explorando o recuo do São Paulo, o tricolor pressionou com insistência. O gol, porém, não saiu nesta fase.No tempo final, o mesmo domínio. Depois, o gol que fez justiça. O Grêmio mostrou mais futebol. Daí o escore favorável e o apoio da torcida (CrS 3.279.540,00, a arrecadação) que não parou um instante de incentivar os jogadores.O Grêmio ganhou por 1x0 do São Paulo, com Leão; Paulo Roberto, Newmar, De León e Casemiro; China, Paulo Isidoro, Tadei; Tamiso, Baltazar e Odair. O São Paulo jogou com Toinho; Chiquito, Nei, Dario Pereira e Marinho; Almir, Élvio (expulso) e Éverton; Valtinho (Tatu), Assis (Marquinho) e Heriberto. Bráulio Zanotto foi um bom árbitro, com Célio Laudelino e José Nunes, os auxiliares.A vitória gremista foi amplamente festejada. É o que o torcedor esperava. Agora, sem dúvida, passando pelo São Paulo, o time tem condições de continuar lutando pelo objetivo maior: a classificação. Outro fator positivo da vitória: a. excelente estréia do lateral Paulo Roberto. O júnior esteve excelente na marcação e, quando partiu para o apoio, saiu-se com segurança. Portanto, foi outro motivo de grande vibração da torcida. Agora, mais tranqüilo, bicampeão gaúcho prepara-se para enfrentar a próxima jornada. A primeira decisão foi vencida.” (Correio do Povo, 22 de março de 1981)


Foto: Correio do Povo


GOL DE BALTAZAR DÁ VITÓRIA AO GRÊMIO E ACABA COM A INVENCIBILIDADE DO S.PAULOPorto Alegre – Com um gol de Baltasar, aos 25 minutos do segundo tempo, o Grêmio venceu o São Paulo (que era o único invicto da Taça de Ouro), ontem à tarde, no Estádio Olímpico, e manteve as esperanças de classificação à fase seguinte do Campeonato. Agora, tem quatro pontos ganhos e ainda lhe faltam dois jogos, um deles em casa, contra o Inter de Limeira, seu principal adversário no grupo I.Fundamentalmente, a vitória premiou o time que mais a procurou. O São Paulo, praticamente classificado, propôs, durante todo tempo, um jogo defensivo, apenas com Assis e Valtinho na frente, tentando as jogadas de contra-ataque. Mas o Grêmio, levado pela necessidade de vencer e muito incentivado por sua torcida; não deu as mínimas chances ao São Paulo. Além' de criar inúmeras chances para marcar.SÓ ATAQUESe o São Paulo não chegou a criar lima única situação de gol, o Grêmio teve, nos dois tempos de Jogo, muitas oportunidades para marcar, com o goleiro Toinho fazendo grandes defesas. Com uma movimentação constante no setor de, meio de campo e com o apoio constante dos dois laterais (a estréia do Juvenil Paulo Roberto foi excelente), o Grêmio forçou sempre a zaga paulistaA primeira grande chance do Grêmio foi com Vilson Tadei, aos 25 minutos, do primeiro tempo, quando penetrou pelo meio e obrigou o goleiro Toinho a fazer grande defesa. Aos 35, Casemiro chutou muito forte de fora da área, com a bola batendo na trave direita. Aos 39, o Juvenil Paulo Roberto bateu falta da mela esquerda, e obrigou Toinho a fazer outra grande defesa.No segundo tempo, logo aos 4 minutos, Tarciso tinha tudo para marcar, quando o zagueiro Nei salvou. Aos 24, Paulo Isidoro cabeceou livre e Toinho fez outra grande defesa. Mas, aos 25, Tarciso bateu falta da direita e Baltazar, no meio da zaga do São Paulo, conseguiu cabecear, vencendo o goleiro Toinho, que passou a ser chamado de "Frangueiro" pela torcida. Os Jogadores do São Paulo, sentindo que a invencibilidade estava sendo perdida, ficaram muito nervosos em campo e Élvio acabou expulso depois de atingir Paulo Isidoro. O lateral Chiquito, no mesmo lance, tentou atingir com a bola o médico do Grêmio, que atendia a Isidoro, ainda em campo. Com essa vitória, o Grêmio soma quatro pontos na tabela de classificação, que deverá ser decidida contra o Inter de Limeira, no Estádio Olímpico. Antes disso, o Grêmio joga contra o Fortaleza, em Fortaleza.” (Jornal do Brasil, domingo, 22 de março de 1981)



Grêmio 1 x 0 São Paulo
GRÊMIO: Leão; Paulo Roberto, Newmar, De León e Casemiro; China, Paulo Isidoro e Vílson Tadei; Tarciso, Baltazar e Odair.
Técnico: Ênio Andrade

SÃO PAULO: Toinho, Chiquito, Nei, Darío Pereyra e Marinho; Almir, Élvio e Éverton; Valtinho (Tatú 37 do 2º), Assis (Marquinhos 22 do 2º) e Eriberto.
Técnico: Carlos Alberto Silva

2ª Fase- 4ª rodada
Data: 21/março/1983 – Sábado
Local: Olímpico, Porto Alegre
Público: 27.999
Renda: Cr$ 3.279.540,00
Juiz: Bráulio Zanotto (PR)
Cartão Amarelo: De León
Cartão Vermelho: Élvio, 31 do 2º
Gol: Baltazar 25 do 2º




2ª Fase - 3ª Rodada - Internacional-SP 3x1 Grêmio

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)


“GRÊMIO FOI MAL E ESTÁ AMEAÇADO

Time de Ênio Andrade largou na frente da Inter de Limeira, mas acabou levando três. Agora está numa situação ruim na tabela

 

 O Grêmio ficou em situação o ruim para classificar-se à fase seguinte da Copa de Ouro, depois de perder, ontem, no Estádio Limeirão para a Inter de Limeira por 3 x 1. O Grêmio começou melhor, fez seu gol, mas não conseguiu resistir ao futebol objetivo do time contrário, especialmente de Elói, que além de marcar dois gols, desequilibrando a partida em favor da Inter.

 

 Quando o jogo começou fazia muito calor em Limeira e torcida local pareceu não acreditar em sua equipe pois compareceu em número reduzido ao Estádio. E o Grêmio tirou proveito disso.  A Inter só tinha Tornado protegendo os seus zagueiros e o esquema de Ênio Andrade com quatro homens no meio campo – China, Renato Sá, Tadei e Paulo Isidoro – sempre fazia com que um destes jogadores ficasse livre para organizar os ataques do seu time. A Inter, então, só se limitava ao talento de Elói, que, marcado por Tadei, ainda não desenvolvia todo seu futebol. Camargo, a grande opção ofensiva da equipe, era muito bem marcado por Dirceu. Só dava Grêmio, mesmo que Tarciso estive (parece) com medo de enfrentar Bolivar.

 

 O gol dos gaúchos passou a ser uma questão de tempo e acabou surgindo aos 12 minutos. Baltazar criou o lance, Isidoro marcou. O Grêmio continuou melhor e, num chute de Tadei, quase, que Isidoro liquidou com a partida. Só que a esta altura dos acontecimentos a Inter já melhorava. Toinzinho fez um Lance individual e quase empatou. E a zaga do Grêmio, com Newmar intranquilo, começou a errar.

 

  Aos 23 e 26 minutos, a Inter ameaçou. Sempre por Eloí. E o empate veio sem que ele tivesse participação (um fato raro no campo). Foi Marcão quem avançou num incrível descuido de De León que, ao invés de chutar a bola para o lado, preferiu atira-la contra o corpo do centroavante. E Marcão, muito mais forte, levou vantagem. Até que Leão foi obrigado a cometer pénalti.

 

Aí, o Grêmio ficou perturbado. E a Inter soube tirar muito proveito disso. Tanto que seu segundo gol — 37 minutos — veio depois de cinco minutos da hora do empate. Marcão marcou num erro de Newmar, um zagueiro muito inseguro. E o terceiro gol só não surgiu num lance criado pelo zagueiro Joílson (até isso acontece com o Grémio). Porque Leão fez uma fabulosa defesa na conclusão de Marcão. Ênio Andrade desceu para o vestiário negando-se a dar entrevistas. E até que ele teve uni pouco de razão, pois era difícil explicar o que houve com o Grémio.

 

 Quem esperava que o Grémio reagisse no segundo tempo, estava enganado. Os gaúchos voltaram mais dispostos a campo. Até Tarciso que quase empatou a partida, logo aos dois minutos Mas a Inter lambem era outro lime, agora mais cauteloso, procurando manter sua vantagem. Havia sombra no campo e seus jogados ainda mostravam um bom preparo físico.

 

 Curiosamente, a vontade do Grêmio em empatar foi que o derrotou. Como? Ora, De León partia para o ataque, ajudando os companheiros e apareciam os espaços na zaga gremista. Elói fazia tudo o que queria com a bola e Leão começou a ter excesso de trabalho, passou a evitar a goleada, defendendo lances em chutes de Camargo e Marcão, aos S e II minutos. Ênio Andrade, então, escalou Odair no lugar de Tadei (o Grêmio não podia perder), mas não adiantou. Eram I5 minutos. Aos 20, Baltazar saiu para dar entrada a Héber e a Inter continuava mais perto do terceiro gol. Elói já dava "show" de bola. O Grêmio não tinha mais esquema, apenas raça.

 

  E Elói marcou um golaço, aos 23 minutos, num lance de rara habilidade: ele encobriu o goleiro Leão. O Grêmio estava perdido e seus jogadores só tinham vontade em mudar o que acontecia. Renato Sá e o zagueiro Joílson foram expulsos. Mais tarde, Dirceu e Tornado. Quase não havia mais nada a se fazer em campo. Bem que o Grêmio tentou reagir e Odair foi quem criou suas melhores oportunidades, mas a zaga da Inter, comandada por Bolívar, estava segura e o tempo foi passando. E foi o time local, sempre através de Elói, quem criou a última grande oportunidade da partida para que Leão fizesse a defesa. Eles foram os dois grandes destaques em campo. Sem dúvida. E o pequeno público que compareceu ao Limeirão foi embora satisfeito para casa.

 

 

O Placar

 

 Paulo Isidoro para o Grémio, 1 x 0, aos 12 minutos do primeiro tempo. Baltazar recebeu uma bola livre pela ponta esquerda. Isidoro antecipou-se aos zagueiros da Inter e cabeceou no ângulo esquerdo da goleira de Serginho.

 

 Elól para a Inter, 1 x 1, aos 33 minutos. De León foi dividir uma bola com Marcão no meio de campo. Ele errou ao tentar vantagem nesta dividida contra o adversário mais forte. Marcão avançou só e foi derrubado por Leão. Elói cobrou o pênalti no canto esquerdo. Com categoria.

 

Marcão para a Inter, 2 x 1, aos 37 minutos. Simões cruzou a bola do lado esquerdo. Marcão antecipou-se a Newmar, colocou a bola no chão e chutou forte, de pé esquerdo, no canto direito da goleira de Leão que ainda tentou a defesa.

 

 Elói para a Inter, 3 x 1, aos 23 minutos do segundo tempo — um gol lindo. Elói recebeu a bola ao lado da área do Grêmio e, percebendo a má posição de Leão no lance (estava adiantado), encobriu o goleiro ao dar um leve toque na bola com seu pé esquerdo.” (José Evaristo Villalobos, Zero Hora, segunda-feira, 16 de março de 1981)


Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)


Correio do Povo



Fonte: Memória da Inter

Foto: Adolfo Alves (Zero Hora)



Internacional-SP 3 x 1 Grêmio

INTERNACIONAL-SP: Serginho; Suemar, Johnathan, Bolívar e Celso; Tornado, Elói e Toinzinho (Salomão); Camargo (Alexandre Pimenta), Marcão e Simões
Técnico: João Francisco

GRÊMIO: Leão; Casemiro, Newmar, De León e Dirceu; China, Vilson Tadei (Odair), Renato Sá e Paulo Isidoro; Tarciso e Baltazar (Heber) .
Técnico: Ênio Andrade

2ªFase 3ª Rodada
Data: 15/março/1981 – Domingo
Local: Major José Levy Sobrinho – Limeira
Público: 10.144 pagantes
Renda: Cr$ 1.350.800,00
Juiz: Valquir Pimentel (RJ)
Auxiliares: Edson Pessoa Rodrigues e José Maria Barreto
Cartão Amarelo: Dirceu, Leão, Tornado
Cartão Vermelho: Gílson e Renato Sá aos 35, Dirceu aos 42 e Tornado aos 43 do 2ºtempo.
Gols: Paulo Isidoro aos 12, Elói (Pênalti) aos 33 e Marcão aos 36 do 1º, Elói aos 23 do 2º.